Do banco da praça


Do banco da praça é possível se ver
A nossa vida passando sem se resolver
E atrás do banco, deitado no chão,
Usando papelão como colchão,
Alguém que ainda sonha com uma solução.

Do banco da praça é possível sentir
Um medo interno, do que está por vir.
De alguma atitude severa, que pode causar,
Sofrimentos futuros, que demoram pra acabar.

Do banco da praça eu consegui entender
A diferença da justiça, a injustiça e o bom proceder.
Quando somos agredidos, sem nada fazer.
A sociedade tenta nos acusar, mas graça a Deus
Sempre tem alguém para nos justificar.

Do banco da praça um dia eu pude ver
Pessoas passando, sem ter para onde ir.
Algumas perdidas, sem nenhuma direção.
E outras buscando seguir seu caminho
Que acabava sempre na contramão.

Do banco da praça eu tive a oportunidade de conhecer
Pessoas do bem e pessoas do mal
Os primeiros me faziam sofrer nas noites de sábado
E os outros eram minhas companhias nos domingos.

Do banco da praça é difícil de explicar
Porque as coisas acontecem ou como vão acabar.
Mas ainda nos restam a fé, a esperança e a perseverança.
Pois sem estas coisas é difícil agüentar
Nessa caminhada, a cada madrugada, no fim da jornada
Com muita luta, humildade e irmandade, iremos chegar.

Do banco da praça eu quero agradecer
A você que faz parte do meu dia-a-dia
Quem eu encontro na praça, na rua ou na fila.
Quero te desejar tudo de bom, que seja feliz.
Que ande pelo certo, pois quem é correto e honesto,
Na caminhada, meu camarada, nunca vacila.

Do banco da praça, agora vou me lembrar
Da Márcia, do Marcos, do José e do João.
Verdadeiros amigos, que estiveram comigo,
Além do outono e da primavera, o inverno e o verão.

Do banco da praça, onde eu conheci
A loucura e a caretice, que são duas irmãs.
São diferentes palavras, mas sempre aliadas,
Nessa vida difícil, entre o gole e o vício,
Seja de manhã, tardes e até nas madrugadas

Ao banco da praça eu quero agradecer,
Por todas as vezes que me deitei pra dormir.
Ele foi meu fiel companheiro, sempre pronto a me ouvir.
Sempre calado, mas também preparado
Pra me ajudar a chorar, cantar ou a sorrir.
Obrigado

Vilmar Rodrigues

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