Manifestação no Largo São Francisco relembra vítimas da violência nas ruas

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MNPR, população de rua e apoiadores se reuniram para reivindicar mais políticas públicas

Passados oito anos desde o Massacre da Sé, em SP, o MNPR de Curitiba realizou, no dia 17 de agosto, o “Dia de luta”, ato organizado em várias partes do país para relembrar o ocorrido. Em frente à sede do Centro Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (CEDDH), no Largo São Francisco, integrantes do movimento, pessoas em situação de rua e apoiadores se reuniram para protestar por melhores condições para uma população menos favorecida.

“Chega de violência, queremos políticas públicas”. Esses dizeres, pintados em um cartaz produzido no próprio local, com a ajuda da população de rua, expressam a luta do Movimento. Janaína Rocha, que já viveu 14 dos seus 24 anos na rua, participou da produção da faixa. Ela diz já ter presenciado a morte de companheiros por tortura e violência, segundo ela, motivadas pelo preconceito contra quem vive na rua. Janaína reclama da demora da polícia em atender às denúncias. “Muitas vezes a polícia chega só vinte minutos depois do chamado, e não há punição para quem agrediu”, diz.

O ato se estendeu por toda a manhã. Leonildo Monteiro, coordenador do Movimento Nacional da População de Rua no Paraná, ressaltou a importância da manifestação. “Através desse ato, relembramos as vítimas das ruas, do frio e da violência. Temos que acompanhar as violações de direito gratuitas sofridas pela população”, disse Monteiro. Além disso, o coordenador destacou a importância da conquista do CEDDH pelo Movimento, que possibilitará o atendimento mais eficaz das demandas da população de rua.

O Dia de Luta e o “Massacre da Sé”

Desde 2004, o dia 19 de agosto foi instituído como Dia de Luta pelo Movimento Nacional da População de Rua. Foi nesse dia que, há oito anos, sete moradores de rua faleceram na Praça da Sé, em São Paulo, vítimas de pancadas na cabeça. Mais oito pessoas ficaram feridas. As mortes teriam sido relacionadas a um esquema de segurança clandestina e tráfico de drogas. A suspeita é de que os moradores de rua sabiam do envolvimento de Policiais Militares nessas atividades e, por isso, foram mortos. Os responsáveis pelo chamado “Massacre da Sé”, até hoje, continuam impunes.

“Hoje lembramos dos irmãos em situação de rua que morreram por violência e por falta de políticas públicas”, dizia um cartaz produzido para o ato. Aqui no Paraná, o dia 17 de agosto foi marcado pela tristeza por tantos outros que, assim como as vítimas da Sé, infelizmente, morreram pela violência, pelo desamparo do poder público e pelo descaso de toda a sociedade.

Agora é nosso!

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Local do CEDDH já está sendo ocupado

O espaço que abrigará o Centro de Defesa dos Direitos Humanos da População de Rua e Catadores de Material Reciclável já está sendo ocupado. Desde o dia 29 de agosto, o MNPR está realizando os Grupos de Trabalho no belvedere da Praça João Cândido, nas ruínas de São Francisco.

As chaves do imóvel foram simbolicamente entregues, no dia 24 de agosto, para o coordenador do MNPR, Leonildo Monteiro.

A primeira reunião realizada no local contou com a presença de vários apoiadores e integrantes do movimento. Representantes da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná (Seju) também estiveram presentes.

O espaço foi cedido pela Seju para a construção do CEDDH do Paraná. Em breve, o Centro deverá estar funcionando. No momento, o CEEDH ainda está em processo de contratação de técnicos e capacitações dos servidores.