Mais agressões da Guarda Municipal

A equipe d’A Laje recebeu, novamente, denúncias de agressão e falta de respeito da Guarda Municipal (GM) em relação a pessoas em situação de rua. De acordo com um dos relatos, no dia 12 de maio, por volta das 16 horas, a GM recolheu a sacola de um morador de rua, na Praça Eufrásio Correia. Ele perdeu diversos pertences, que não puderam ser recuperados. Além disso, o denunciante foi agredido física e verbalmente.

De acordo com o morador, os Guardas violam com frequência o direito que qualquer pessoa, inclusive aquelas em situação de rua, tem de fazer uso de logradouros públicos, até mesmo para dormir. “Abusando do poder de autoridade, (os GMs) nos expulsam das nossas praças com ameaças, ferindo nossa integridade moral e também de nossas mães”, conta. Além das agressões verbais, o denunciante afirma que levou chutes, socos e até uma cabeçada com capacete.

Confira os depoimentos na íntegra:

Abusos na Praça Eufrásio Correia

No dia 12/05/2012, foi levada a minha sacola da Praça Eufrásio Correia por volta das 16 horas. A sacola continha um acolchoado, um cobertor, duas calças, duas camisetas, uma blusa de lã branca e um par de tênis novos.

O decreto de lei nº 7053, de 2009, fala sobre a política nacional de direitos humanos. Assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele dá a nós, moradores de rua, o direito de fazer uso de logradouros públicos inclusive para dormir. Todavia, esse direito é burlado por alguns agentes da lei que, abusando do poder de autoridade (lei 4898/65), nos expulsam das nossas praças com ameaças, proferindo palavras de baixo calão, ferindo nossa integridade moral e também de nossas mães.

Na maioria das vezes em que somos abordados, sofremos opressão psicológica e física, como por exemplo, choques, spray de pimenta nos olhos, tapas no rosto, chutes nos testículos, pernas e outros pontos do corpo, socos no estômago e cacetadas nas costelas com fortes cutucões.

Antônio Martins, o Favela

De dentro da cela…

São 22:00 horas de domingo e eu, Vilmar Rodrigues, estou preso aqui no 1º DP. O motivo vou contar nas linhas que seguem abaixo.

Na Sexta Feira, 27/04/12, após a janta servida no projeto João Durvalino, fui direto para o albergue. O que me causou espanto ao chegar foi ver que uma educadora chutava um morador de rua, que já estava caído no chão. Ao me aproximar para tentar separar, fui agredido por ela com palavras do tipo: “Sai daqui seu lixo, vagabundo”. Chamei ela de covarde.

Ela disse que era para eu sair, que se eu não saísse de perto também ia apanhar. Nesse momento, chegou o marido dela (nome), que é da Guarda Municipal. Fui algemado e me levaram ao 1º DP, onde após me algemaram nos pés, começaram a me agredir até que caí no chão. Foi quando um policial começou a me sufocar no chão, até eu desmaiar. Após jogarem água fria em mim para me reanimar, fui colocado sentado em um banco, onde as agressões continuaram.

Foi quando o delegado pegou a sua arma e me deu uma coronhada na cabeça. Simplesmente fiquei uns 40 minutos apanhando. Quando eu já estava sangrando até pelo nariz, me algemaram em pé para que eu não desfalecesse. E assim passei a noite inteira. Às 09h da manhã, o plantonista veio com uma máquina fotográfica e bateu uma foto minha dizendo que era para a tribuna. Fui colocado na cela, onde os “irmãos” me ajudaram.

Vilmar Rodrigues
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