Impasse entre FAS e população de rua

Limpeza de bueiros gera polêmica

As pessoas em situação de rua sofrem com a falta não só de moradia, mas também de alimentação e roupas adequadas. Até aí, nenhuma novidade. Denúncias recebidas pela Laje, entretanto, trazem à luz um novo tipo de desrespeito a essa população.

Os relatos apontam que equipes da Fundação de Assistência Social (FAS) têm recolhido com frequência o que há dentro dos bueiros da cidade. O problema é que esses locais servem como uma espécie de “guarda-roupas” para as pessoas em situação de rua. Segundo elas, quando a prefeitura limpa os bueiros também leva seus poucos pertences. Não há possibilidade de reaver o que foi recolhido, afirmam os denunciantes. Muitas vezes, são perdidos documentos e roupas que ainda poderiam ser utilizadas. Moradores da rua XV de Novembro reclamam que perderam cobertores novos e os comerciantes da região confirmam a retirada pela FAS.

Tendo em vista as denúncias recebidas, a equipe d’A Laje entrou em contato com a Fundação para averiguar o caso. O jornal conversou com a responsável pela diretoria de proteção social especial da instituição, Marcia Steil. A diretora confirma o recolhimento, mas afirma tratar-se de uma ação que visa a limpeza pública. Segundo ela, os bueiros são locais de acúmulo de lixo. “Primamos pelo respeito à pessoa. O que a gente não pode permitir é que ela fique no meio do lixo”, diz Steil.

De acordo com a FAS, se algum pertence é identificado em meio ao lixo, ele não é recolhido. “Procuramos resguardar o que é pertence da pessoa: documentos e roupas”, afirma a diretora. Para ela, muitas vezes o que é das pessoas em situação de rua se confunde com o lixo, pelo seu estado de deterioração, ou se perde em meio aos resíduos. “Se as coisas dela estão perdidas no meio do lixo, vão embora mesmo”, afirma. Mesmo assim, Steil reforça que o direito da posse de objetos é preservado.

Apesar da justificativa, muitas pessoas em situação de rua continuam perdendo o pouco que têm nessas ações. Ao mesmo tempo, o recolhimento do que é considerado lixo faz parte do processo de conservação do espaço público. A solução para esse impasse, infelizmente, é complexa, e deve ser construída pela FAS em conjunto com os que estão sendo prejudicados. É, dessa forma, cada vez mais necessário o diálogo entre tal instituição e a população em situação de rua.

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