I Congresso do Movimento da População de Rua é realizado em Salvador

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Sinônimo de uma grande conquista para as pessoas em situação de rua no Brasil, ocorreu nos dias 19, 20 e 21 de março o 1º Congresso Nacional do Movimento da População de Rua, em Salvador/BA. Com o tema “Protagonizando Histórias e Garantindo Direitos”,  o congresso contou com cerca de 300 participantes – pessoas em situação de rua, autoridades e apoiadores, que se reuniram para discutir a falta de políticas públicas para essa população no Brasil.

O evento teve por finalidade fortalecer e dar visibilidade ao MNPR. Por isso os participantes eram, em sua maioria, pessoas em situação de rua de várias partes do país.

Estiveram presentes, além dos representantes dos dez estados participantes (Bahia, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Espírito Santo e Distrito Federal), autoridades como a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, e o governador da Bahia, Jaques Wagner.

O Paraná esteve presente com 15 participantes. Junto com Santa Catarina e Rio Grande do Sul, formou uma comitiva de 40 pessoas (dez apoiadores e 30 pessoas em situação de rua).

O Congresso será realizado a cada dois anos, e junto dele, acontecerá a eleição para Coordenadores do Movimento. Os coordenadores permanecerão na liderança durante os anos entre os Congressos, com possibilidade de reeleição.

Autoridades participam do Congresso

Durante os três dias, a população de rua pôde expor seus problemas e cobrar a falta de iniciativas dos governos. A ministra Maria do Rosário, representando a Presidente Dilma, reconheceu a complexidade da questão. “Escuto as histórias consciente de que temos muito o que mudar”, falou. E logo completou: “Saúde e habitação não são políticas só de assistência social, são políticas de direitos humanos.” A ministra também comentou sobre a importância da reeducação da polícia para os direitos humanos. “Polícia trata quem tá na rua como bandido, sem reconhecer a diversidade desse povo, sem reconhecer que ele é trabalhador”, fala.

O governador da Bahia também esteve presente, para assinar o projeto Bahia Acolhe. Segundo Jaques Wagner, esse projeto “garantirá direitos sociais através da inclusão de crianças, jovens, adultos e idosos em redes de proteção social”. Essa vitória para a Bahia pode significar um grande avanço para a população de rua do país. O Movimento espera que o modelo do projeto implantado no estado seja futuramente adaptado para todo o Brasil.

Além do governador e da ministra, representantes do Ministério do Desenvolvimento, do Ministério da Saúde, e de outras entidades estiveram presentes.

Congresso foi bem aceito pelos participantes

Missão cumprida. É esse o sentimento da organização do Congresso sobre os 3 dias em que a população de rua de diversos estados esteve presente em Salvador. E quem participou também reconheceu a tamanha importância desse primeiro congresso. Foram momentos de discussões, cobrança, troca de ideias e, principalmente, de fortalecimento da luta da população em situação de rua.

Para a anfitriã do evento, Maria Lúcia Pereira, a maior conquista foi a população de rua ter conhecido o MNPR e se sentir parte dele. O objetivo disso tudo é que o Movimento não fique restrito aos 5 coordenadores nacionais, para que todos possam fortalecer a luta.

A população de rua da região Sul que participou do evento também acredita que o Movimento ficará agora muito mais forte. Os participantes destacaram como uma grande conquista o união entre os 3 estados, que vieram todos no mesmo ônibus. Foi muito elogiado por eles, também, a infra estrutura do evento e a oportunidade de conhecer pessoas novas. Como única pauta do evento que não foi cumprida, ficaram os grupos de trabalhos que estavam programados. Eles não aconteceram devido à alteração emergencial do dia em que vieram as autoridades. Apesar disso, o evento ocorreu sem maiores problemas.

“Tem que arriscar, ter equívocos, para a gente fazer alguma coisa. Se a gente olhar lá fora, a sociedade acha que morador de rua é mendigo, vagabundo. Fica a pergunta: quem diria que os mendigos iam se organizar e fazer um congresso?” disse Samuel Rodrigues,  referindo-se a determinação das pessoas que participaram do evento.

II Congresso será em Curitiba

O Congresso nacional foi ainda mais especial para a população de rua do Paraná e da região Sul. Esse pessoal saiu de Salvador com a notícia de que o próximo congresso será realizado na capital paranaense. A decisão ocorreu no último dia do evento, pelo voto da maioria da população de rua (os apoiadores não votaram) presente na assembleia. Curitiba concorreu com o Rio de Janeiro, e ganhou a votação por 29 a 21 votos.

Para Suzyele Martins trazer o evento a Curitiba é uma forma de chamar a atenção sobre os problemas para que a situação melhore. “Assim como melhorou para eles ( se referindo ao Bahia acolhe), quero que melhore para mim e para meus amigos da rua”, declara.

Leonildo Monteiro, representante do Paraná no MNPR, conta que a ideia de trazer o evento para Curitiba é justamente dar visibilidade aos problemas locais, que são ainda maiores que nas outras regiões pela população de rua, além de tudo, ter que suportar também o frio.

A ideia é que o congresso seja construído entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para fortalecer a luta dessa região do país. “É uma grande conquista para a população de rua da região Sul”, afirma Leonildo.

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