Samuel Rodrigues, do MNPR de Belo Horizonte, fala à equipe da Laje

Samuel Rodrigues é coordenador nacional do Movimento Nacional de População de Rua. Ele esteve em Curitiba recentemente para conversar com o MNPR do Paraná sobre o Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos. Aproventando a oportunidade, ele deu uma entrevista à Laje para falar sobre sua trajetória de rua e sua vida no Movimento.

A Laje: Como o senhor Conseguiu sair da rua e chegar a coordenação do MNPR?

Samuel: Sair da rua foi um processo. Eu estava muito acostumado com doação, com comida de graça, com roupa de graça, com preservativo para vender e fazer dinheiro… E um dia eu encontrei uma entidade que disse para mim que lá não tinha nada disso, né, e tinha outra proposta, já tinha o Movimento, já existia, tinha um grupo que discutia política pública para o Movimento. Eu estava no albergue, daí um tempo eu fui encaminhado para república, depois eu me engajei com o movimento de moradia em Belo Horizonte. Fizemos algumas ocupações, fui preso numa dessas ocupações e fui fazendo esse processo de discussão do Movimento. Fui para Brasília ajudar a fazer a discussão da política nacional e hoje eu moro, pago aluguel, não há discussão com a prefeitura para ser encaminhado para um programa chamado bolsa moradia, mas eu pago aluguel e estou me virando! Acho que essa coisa – sou muito motivado por toda essa luta, né – ainda é minha, nunca tive a idéia que estou fazendo para eles. Estou fazendo com eles, estou fazendo comigo, o morador de rua aqui sou eu.

O que te motivou mesmo a sair daquela situação?

Samuel: Enfim, eu sempre tive um lado muito romântico da rua, sempre fui e voltei para rua. Na verdade eu sou trecheiro, esse povo do estado, sou paranaense, já morei no Rio, São Paulo, em Salvador, no Paraguai. Enfim, eu tenho uma história muito louca de trecho. Acho que a idade motivou também. Eu estava precisando parar, estava precisando dar um tempo, precisava repensar minha vida, tentar encontrar minhas raízes, aliás estou tentando até hoje. Mas acho que o grande motivador foi isso, a idade e ter encontrado o grupo que falava minha língua.

Quais foram as maiores dificuldades que o Sr. encontrou enquanto morava na rua?

Samuel: Então, minha grande dificuldade era me fixar. Nunca tive grandes dificuldades para me alimentar, nunca tive grandes dificuldades com clima, mas me fixar em um lugar era uma grande dificuldade. Eu vivia de um canto para o outro, em uma hora na zona rural, outra hora no grande centro, então essa dificuldade de fixação sempre foi meu grande problema, acho que até hoje. Estou pensando em ir embora de BH, pois as coisas estão bastante encaminhadas lá e eu to fazendo uma conversa muito gostosa com um pessoal do estado de Goiás, e estou querendo em 2012 mudar para Goiás para começar uma articulação lá.

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